terça-feira, 23 de abril de 2013

ONU elogia Brasil por condenação de responsáveis pelo massacre no Carandiru


O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos elogiou, nesta terça-feira (23), a condenação de 23 policiais que participaram de 1992 no massacre de 111 presos no complexo penitenciário do Carandiru, em São Paulo.

"Depois de mais de duas décadas de impunidade em um dos incidentes de violência mais brutais em uma prisão, elogiamos as autoridades brasileiras por fazer justiça a algumas das vítimas do Carandiru e seguiremos de perto a continuação dos julgamentos dos outros acusados", disse em Genebra a porta-voz do organismo, Cécile Pouilly.

Outros 50 policiais envolvidos no incidente serão processados nos próximos meses. No fim de semana passado, 23 dos 79 policiais acusados pela entrada no complexo foram condenados a 156 anos de prisão cada. Antes da sentença, a única pessoa julgada havia sido o comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães, que foi condenado em 2001 por uso excessivo da força, mas foi absolvido em apelação em 2006, lembrou Cécile.


Perguntada sobre a possibilidade de que os condenados também possam ser absolvidos no futuro, a porta-voz admitiu que podem recorrer e a condenação ficar sem efeito, uma possibilidade "que certamente nos preocupa, e por isso ressaltamos que acompanharemos os próximos julgamentos e seus resultados".

A representante do organismo da ONU reconheceu que transcorreu muito tempo entre o crime e a punição dos responsáveis, mas disse que apesar disso "estamos satisfeitos de ver que, finalmente, não há mais impunidade para esses crimes".

— Vemos situações muito difíceis no mundo e que, infelizmente, em algumas ocasiões a justiça leva tempo, mas achamos que (o caso do Brasil) é um fato positivo.

O organismo da ONU aproveitou a ocasião para pedir ao Brasil "que resolva, com caráter de urgência, a terrível situação nas prisões de cerca de meio milhão de pessoas detidas".

A porta-voz lembrou que o Alto Comissariado e outros mecanismos da ONU especializados em direitos humanos mantiveram nos últimos anos diálogos com as autoridades brasileiras "para que sejam resolvidos assuntos pendentes há muito tempo relacionados à luta contra a impunidade e às condições de detenção".

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