terça-feira, 6 de agosto de 2013

querer infelizmente nao e poder



Ibope: mais de 80% dos brasileiros querem reforma política para 2014
Segundo a pesquisa, 92% dos entrevistados disseram que são a favor de que as mudanças aconteçam por meio de uma proposta de iniciativa popular


Pesquisa do Ibope Inteligência, encomendada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), da qual faz parte a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), revelou hoje que 85% da população brasileira são a favor de uma reforma política. O levantamento mostrou também que 84% dos entrevistados acreditam que, se aprovada, a reforma deve vigorar já para o pleito do ano que vem.

O Ibope Inteligência ouviu, entre 27 e 30 de julho, 1500 pessoas com mais de 16 anos, por telefone. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. O MCCE encabeça a proposta de lei de iniciativa popular "Eleições Limpas", que propõe uma reforma política e precisa reunir 1,6 milhão de assinaturas para começar a tramitar no Congresso.

Na pesquisa, 92% dos entrevistados disseram que são a favor de que a reforma política aconteça por meio de uma proposta de iniciativa popular. Sobre doações eleitorais, 78% se manifestaram contra a que empresas privadas possam contribuir com recursos a partidos e candidatos. Na mesma linha, 80% dos entrevistados disseram que deveria haver um limite para o uso de dinheiro público nas campanhas eleitorais.

O Ibope também mostrou que 90% querem uma punição mais severa para quem pratica o Caixa 2. Por último, 84% disseram que são a favor das manifestações populares que tomaram as ruas do País nos últimos meses.

"Eleições Limpas". O projeto de iniciativa popular "Eleições Limpas" está em processo de coleta de assinaturas para ser apresentado ao Congresso Nacional. O "Eleições Limpas" prevê uma reforma política na qual conste o fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas. Seria permitido, pelo projeto, a doação por pessoa física, com um limite preestabelecido.

A proposta sugere, ainda, uma eleição para o Legislativo em dois turnos, na qual o eleitor escolheria, em um primeiro momento, o partido. No segundo turno, com o número de cadeiras por sigla já estabelecido, o cidadão escolheria o candidato.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

greve



Policiais federais do RJ param por 24h e pedem reestruturação
Em passeata nas ruas do centro na manhã desta segunda-feira, 5, cerca de 300 policiais fizeram reivindicações como melhorias na metodologia de investigação


Cerca de 300 policiais federais do Rio de Janeiro fizeram uma passeata pelas ruas do centro no fim da manhã desta segunda-feira, 5. A categoria faz uma paralisação de 24 horas e reivindica reestruturação da Polícia Federal e da metodologia de investigação.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal e diretor da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flavio Werneck, a metodologia atual é muito burocratizada e impede o combate efetivo ao crime. “Somos o único país que tem cartório na polícia”, afirma. “A repetição de procedimentos atrapalha nosso trabalho. O resultado é que menos de 5% dos investigados recebem alguma punição.”

Werneck ressaltou que a perseguição política interna também é um problema e citou o exemplo da greve nacional que aconteceu no fim do ano passado. Segundo o agente, 14 policiais de elite, cujo treinamento individual custa em média R$ 300 mil, foram realocados para outras áreas por terem participado da paralisação. “Eles foram colocados em setores abaixo dos seus para serem humilhados. São mais de R$ 4 milhões desperdiçados.” Werneck atentou, ainda, para o fato de a Polícia Federal ser regida disciplinarmente pela lei 4878/65, aprovada durante a ditadura militar.

O grupo seguia para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde estava prevista uma audiência pública sobre a reestruturação da PF. A passeata levava um grande elefante branco inflável com o objetivo de chamar atenção para o fato de a metodologia usada pelo Brasil ser única  no mundo, segundo Werneck. “O elefante é pesado, difícil de ser empurrado, e simboliza o nosso atraso. Quanto a cor, é porque não é comum vermos elefantes brancos por aí – assim como a investigação burocratizada típica do nosso país.”



e tomara que funcione



Vacina brasileira contra aids será testada em macacos
Cientistas estimam que, no estágio atual, a vacina não eliminaria totalmente o vírus do organismo

Uma vacina brasileira contra o vírus HIV, causador da aids, começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano. Com duração prevista de 24 meses, os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Concluída essa fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos.

Denominado HIVBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. Atualmente, o projeto é conduzido no âmbito do Instituto de Investigação em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoiado pela Fapesp no Estado de São Paulo.

O trabalho teve início em 2001, com apoio de um Auxílio Regular sob a coordenação de Cunha Neto. Em parceria com Kalil, o pesquisador analisou o sistema imunológico de um grupo especial de portadores do vírus que mantinham o HIV sob controle por mais tempo e demoravam para adoecer. No sangue dessas pessoas, a quantidade de linfócitos T do tipo CD4 – o principal alvo do HIV – permanecia mais elevada que o normal.

"Já se sabia que as células TCD4 são responsáveis por acionar os linfócitos T do tipo CD8, produtores de toxinas que matam as células infectadas. As TCD4 acionam também os linfócitos B, produtores de anticorpos. Mas estudos posteriores mostraram que um tipo específico de linfócito TCD4 poderia também ter ação citotóxica sobre as células infectadas. Os portadores de HIV que tinham as TCD4 citotóxicas conseguiam manter a quantidade de vírus sob controle na fase crônica da doença", contou Cunha Neto.

Os pesquisadores então isolaram pequenos pedaços de proteínas das áreas mais preservadas do vírus HIV – aquelas que se mantêm estáveis em quase todas as cepas. Com auxílio de um programa de computador, selecionaram os peptídeos que tinham mais chance de serem reconhecidos pelos linfócitos TCD4 da maioria dos pacientes. Os 18 peptídeos escolhidos foram recriados em laboratório e codificados dentro de um plasmídeo – uma molécula circular de DNA.

Testes in vitro feitos com amostras de sangue de 32 portadores de HIV com condições genéticas e imunológicas bastante variadas mostraram que, em mais de 90% dos casos, pelo menos um dos peptídeos foi reconhecido pelas células TCD4. Em 40% dos casos, mais de cinco peptídeos foram identificados. Os resultados foram divulgados em 2006.

Em outro experimento divulgado em 2010 na PLoSOne, em parceria com Daniela Rosa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Susan Ribeiro, da FMUSP, os peptídeos foram administrados a camundongos geneticamente modificados para expressar moléculas do sistema imunológico humano. Nesse caso, 16 dos 18 peptídeos foram reconhecidos e ativaram tanto os linfócitos TCD4 como os TCD8.

"Fizemos o experimento com quatro grupos de camundongos. Cada um expressava um tipo diferente da molécula HLA (sigla da expressão em inglês para Antígenos Leucocitários Humanos), que está diretamente envolvida com o reconhecimento do vírus", contou Cunha Neto.

O grupo então desenvolveu uma nova versão da vacina com elementos conservados de todos os subtipos do HIV do grupo principal, chamado M, que se mostrou capaz de induzir respostas imunes contra fragmentos de todos os subtipos testados até o momento. O trabalho foi conduzido durante o doutorado de Rafael Ribeiro.

"Os resultados sugerem que uma única vacina poderia, em tese, ser usada em diversas regiões do mundo, onde diferentes subtipos do HIV são prevalentes", afirmou Cunha Neto.

Carga viral. No teste mais recente, feito com camundongos e ainda não publicado, os pesquisadores avaliaram a capacidade dessa nova vacina de reduzir a carga viral no organismo. "O HIV normalmente não infecta camundongos, então nós pegamos um vírus chamado vaccinia – que é aparentado do causador da varíola – e colocamos dentro dele antígenos do HIV", contou Cunha Neto.

Nos animais imunizados com a vacina, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle. Agora estão sendo realizados experimentos para descobrir se, de fato, a destruição viral aconteceu por causa da ativação das células TCD4 citotóxicas.

"Vamos imunizar um camundongo e injetar o vírus modificado. Em seguida, separaremos os linfócitos produzidos e injetaremos em um segundo animal apenas as células TCD4. Um terceiro animal receberá apenas as células TCD8. Depois esses dois animais que receberam os linfócitos com o vírus modificado serão infectados – e um terceiro receberá apenas placebo – para podermos ver qual organismo é capaz de combater melhor o vírus", explicou Cunha Neto.

Os cientistas estimam que, no estágio atual de desenvolvimento, a vacina não eliminaria totalmente o vírus do organismo, mas poderia manter a carga viral reduzida ao ponto de a pessoa infectada não desenvolver a imunodeficiência e não transmitir o vírus.

Segundo Cunha Neto, a HIVBr18 também poderia ser usada para fortalecer o efeito de outras vacinas contra a aids, como a desenvolvida pelo grupo do imunologista Michel Nussenzweig, da Rockefeller University, de Nova York, feita com uma proteína do HIV chamada gp140.

"Em um experimento conduzido pela pesquisadora Daniela Rosa, observamos que a pré-imunização com a HIVBr18 melhora a resposta à vacina feita com a proteína recombinante do envelope do HIV gp140, que é a responsável pela entrada do vírus nas células. Uma vacina capaz de induzir a produção de anticorpos contra essa proteína poderia bloquear a infecção pelo HIV", disse Cunha Neto.

Macacos Rhesus. A última etapa do teste pré-clínico será realizada na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan – uma parceria que envolve as pesquisadoras Susan Ribeiro, Elizabeth Valentini e Vania Mattaraia. A vantagem de fazer testes em primatas é a semelhança com o sistema imunológico humano e o fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HIV.

"Nosso objetivo é testar diversos métodos de imunização para selecionar aquele capaz de induzir a resposta imunológica mais forte e então poder testá-lo em humanos. Além da vacina de DNA originalmente criada, vamos colocar os nossos peptídeos dentro de outros vírus vacinais, como o adenovírus de chimpanzé, vacina da febre amarela ou o MVA, e selecionar a melhor combinação de vetores", afirmou Cunha Neto.

Há dados que mostram, por exemplo, que a vacina com adenovírus recombinante contendo os mesmos 18 fragmentos do HIV em camundongos induz uma resposta imunológica de maior magnitude que a vacina de DNA.

Segundo Cunha Neto, o objetivo é verificar não apenas qual é a formulação que mais ativa os linfócitos TCD4 citotóxicos como também a que mais auxilia a resposta de linfócitos TCD8 e a produção de anticorpos contra a proteína gp140, do envelope do vírus.

O ensaio clínico de fase 1 deverá abranger uma população saudável e com baixo risco de contrair o HIV, que será acompanhada de perto por vários anos. Nesse primeiro momento, além de avaliar a segurança do imunizante, o objetivo é verificar a magnitude da resposta imune que ele é capaz de desencadear e por quanto tempo os anticorpos permanecem no organismo.

Se a HIVBr18 for bem-sucedida nessa primeira etapa da fase clínica, poderá despertar interesse comercial. A esperança dos cientistas é atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até terceira fase dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da Fapesp e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto.

essa eu quero ver


Dilma defende um governo 'digital' e 'mais conectado'
A um público formado basicamente por jovens militantes e ativistas de esquerda, a presidente defendeu aproximação não só com a 'voz das ruas', mas também com a 'voz das redes'

A presidente Dilma Rousseff aproveitou discurso de sanção do Estatuto da Juventude para defender, nesta segunda-feira, 5, que o governo fique "digital" e não só conectado "à voz das ruas", mas à voz das "redes" também. "Diante da juventude, um governo tem de ficar digital. Nós vamos ficar cada vez mais conectado, não só com a voz das ruas, mas a das redes também", disse Dilma. O comentário foi feito durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

Segundo a presidente, o Brasil enfrenta uma série de problemas, envolvendo também a exclusão digital. "Outro grande problema do Brasil é a exclusão digital. Temos empenho de construir programa de acesso à banda larga com qualidade", afirmou Dilma.

Ao dirigir-se ao público da cerimônia, formado basicamente por jovens militantes e ativistas de esquerda, Dilma disse que esteve, durante a sua juventude, lutando por mais democracia e direitos. "Não deixei meus compromissos democráticos quando assumi a Presidência", afirmou, sendo interrompida por fortes aplausos.

faltava so mais essa ne...




Filho de Mussum vai lançar cerveja artesanal batizada de Biritis no próximo dia 19
Sandro Gomes, um dos quatro filhos do humorista, quer se destacar como empreendedor

Muita gente não o conhece pelo nome de batismo - Antonio Carlos Bernardes Gomes. Mas todos se lembram do personagem Mussum, eternizado como uma dos principais comediantes do País e integrante do quarteto Os Trapalhões. Mussum morreu em 1994, mas deixou em um de seus filhos, Sandro Gomes, a paixão pela cerveja - ou 'mé', como o personagem se referia à bebida alcoólica. Agora, Gomes pretende também tornar-se conhecido, mas como empreendedor. Gomes prepara o lançamento - no dia 19 - da cerveja artesanal Biritis.

A cerveja, do tipo Vienna Lager, é o primeiro produto da cervejaria Brassaria Ampolis, criada por Gomes e outros dois empreendedores, Diogo Mello e Leonardo Costa. De acordo com a empresa, mais do que uma cerveja divertida - ela utiliza a imagem do humorista -, trata-se de um projeto feito com carinho, atenção e o cuidado de um filho em forma de homenagem ao pai, também um notório apreciador de cerveja.

Inicialmente, a Biritis será vendida em garrafas de 600 ml apenas em alguns pontos de venda selecionados em São Paulo e Rio de Janeiro. Haverá venda do produto na loja que funciona na quadra da escola de samba Mangueira, outra paixão de Mussum. Nos planos da cervejaria está uma expansão cuidadosa, mas existe a ideia de produzir 50 mil litros da bebida até o fim do primeiro semestre de operação.

domingo, 4 de agosto de 2013

vergonha




'Como alguém dirige bêbado, mata e foge?'
Motorista alcoolizado - segundo a polícia - e sem CNH atropelou o marido de Gisela, pagou R$ 100 mil de fiança e saiu da prisão

"O João só teve metade do pai que eu tive. O João vai crescer e não vai ter o pai que eu tive."

Antonio tem 14 anos. Na noite da última quinta, chorava escondido debaixo da escrivaninha, em seu quarto, dizendo essas palavras. João é seu irmão, de 7 anos. Duas semanas antes, na noite do dia 17 de julho, o pai deles morreu em um acidente quando voltava para casa depois do trabalho.

Fabio Antonio Heide tinha 43 anos. Com os irmãos, comandava o restaurante Kibe Kibe, no Campo Belo, na zona sul da capital, um negócio familiar de quase 30 anos. Como fazia todos os dias, fechou o estabelecimento por volta das 22h30 e pegou o caminho para casa, no Morumbi. Como fazia todos os dias, a bordo de sua motoneta, uma Honda Lead verde, ano 2012.

Naquela quarta-feira, entretanto, Fabio não veria novamente sua família. A cerca de 1 quilômetro de casa, um Jetta preto, ano 2007, veio em sua direção. De acordo com depoimentos de testemunhas ouvidas pela delegada de plantão na madrugada do dia 18, o carro veio na contramão.

Na casa dos Heides, o telefone fixo tocou. Antonio atendeu, passou para a mãe, "estão falando que é um acidente com o papai". Foi o tempo de Gisela Silveira Camargo Heide, de 41 anos, há 24 namorada de Fabio, há 18 casada com Fabio, trocar o pijama por uma roupa, tocou o interfone. "Eram dois rapazes, duas testemunhas, que vieram me procurar para contar sobre o acidente. Me aconselharam a ir para o hospital."

"Mas ele morreu? Mas ele morreu?", perguntava Gisela.

Fabio quebrou as duas pernas e um braço. Mas o que o matou foi o impacto da batida, o trauma na região torácica. Gisela soube que tinha se tornado viúva assim que chegou ao Hospital Universitário da USP, para onde Fabio foi encaminhado. "Meu filho me ligou perguntando se estava tudo bem. Respondi que não, que estava tudo ruim. E desliguei o telefone. Meu mundo caiu."

Naquele momento, Bernardo Romitti, de 36 anos, o condutor do Jetta, era levado para o 89.º DP (Morumbi). Bernardo "desejou fazer uso do direito constitucional de permanecer em silêncio, sem prejuízo de sua defesa e se manifestar somente em juízo", registrou o escrivão.

Bernardo recusou o bafômetro. Em laudo da delegada e do perito, foram constatados "sinais de alteração da capacidade psicomotora". O documento afirma que ele apresentava "sonolência", "olhos vermelhos", "desordem nas vestes" e "odor de álcool no hálito". Também mostrava "agressividade", "dificuldade no equilíbrio" e "fala alterada".

Bernardo foi preso em flagrante por "homicídio culposo na direção de veículo automotor", "embriaguez ao volante", "fuga de local de acidente" e "direção sem permissão ou habilitação". Sua carteira estava vencida desde março. Ora apresentado no inquérito como empresário, ora como empreiteiro (é proprietário da construtora Gaber), ora como assessor da diretoria da gráfica Romitti, de sua família, Bernardo foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) III de Pinheiros, na zona oeste.

"Mamãe, não é justo o que esse cara fez com o papai", dizia Antonio, no dia seguinte.

"Mas ele está preso. A justiça será feita."

O corpo de Fabio só foi liberado no fim da tarde da quinta-feira, dia 18. O enterro, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, seria no dia seguinte. "Foi quando soube que ele (Bernardo) pagou a fiança e foi solto", diz Gisela. "Como explicar para meus filhos? Como alguém dirige bêbado, mata um pai de família, foge do local e depois paga e é solto?"

O pedido de liberdade provisória foi feito pelo advogado Celso Vilardi - com a experiência de quem defendeu o filho do empresário Eike Batista, Thor, quando ele atropelou um ciclista em Duque de Caxias, em março de 2012. No documento, ele argumenta que "nem sequer há testemunhas presenciais" do ocorrido e que Bernardo "é primário e de bons antecedentes". O inquérito afirma, entretanto, que ele já havia sido processado, uma vez, por furto. No dia 19, mesma data do enterro de Fabio, um cheque de R$ 100 mil do Banco Safra abriu o portão do CDP para Bernardo.

"Há a notícia de que ele havia sido pego dirigindo embriagado nos Estados Unidos. Vou levantar os antecedentes", promete o advogado da família da vítima, Roberto Pagliuso. Voltado a brasileiros nos Estados Unidos, o jornal Brazilian Voice diz que "em 28 de junho de 2011, ele (Bernardo) foi preso na cidade de Aventura, Flórida, por dirigir embriagado e chocar seu carro contra outro veículo, felizmente sem provocar vítimas graves".

O advogado também pretende que seja revista a classificação de "homicídio culposo" para "doloso" (em que há a intenção de matar). "A classificação que deram é muito benéfica para ele", diz Pagliuso. "Também acredito que ele precisa ficar preso durante o processo."

Procurado pela reportagem, o advogado de Bernardo afirmou que ele e seu cliente preferem não comentar o caso enquanto o inquérito não for concluído. "As investigações são preliminares."

Gisela ainda parece em choque. Usa o presente para se referir ao marido. "Está difícil acordar e me ver sozinha. E o Dia dos Pais está aí."

Alpiste emagrece e beneficia a saúde?



Não somente comida para passarinho, o alpiste possui diversas qualidades e pode fazer parte do nosso cardápio. Rico em fibras, proteínas, hidrato de carbono, vitaminas E e B1, com propriedades anti-inflamatórias e diuréticas, a semente é uma aliada no cuidado com o corpo.

Leita de enzimas
Foi descoberto que o alpiste possui propriedades que auxiliam no processo de emagrecimento. A enzima lipase dissolve a gordura acumulada nas artérias e veias, melhorando a circulação e ajudando no controle do colesterol e da obesidade. Conhecido como leite de enzimas, o leite de alpiste é bem fácil de fazer e promete emagrecimento se tomado todos os dias.

Separe de duas a cinco colheres (sopa) de semente de alpiste e deixe de molho num copo d’água. Espere virar a noite (8 horas), no outro dia jogue fora a água, adicione um litro de água fervida ou filtrada no liquidificador junto às sementes. Depois de bem trituradas as sementes, coe o líquido, tome um copo de jejum e o que sobrar durante o dia.

O alpiste também pode ser consumido de outras formas, tais como: em chá, em alguma massa de pão (em grão), na salada, triturar as sementes e fazer uma farinha que pode ser incrementada em iogurtes, sucos, sopas etc.

Mais benefícios do alpiste
Além de emagrecedor, o alpiste ainda auxilia no tratamento e prevenção de outras doenças. Veja em que a semente pode ser eficaz ao homem:

No tratamento da obesidade;
Anti-inflamatório natural, agindo no fígado, pâncreas e rins;
Tratamento da diabetes;
Auxiliando no controle da pressão arterial;
Controle da acne;
Faz crescer mais rápido cabelos e unhas;
Aumenta o tônus muscular, ótimo para quem busca ganho de massa nos músculos;
Fonte de antioxidantes, que previnem o envelhecimento e desgaste prematuro da pele;
É diurético, limpa os rins e alivia inchaços;
Pode ser eficaz com pedra nos rins, gastrite, ulceras e outros problemas devido às suas propriedades diuréticas.
Dica para os vegetarianos: As proteínas encontradas num grande pedaço de carne podem ser encontradas nessas sementinhas. É essencial manter-se em cuidado constante com as proteínas no nosso sistema.



Fonte: http://garotabeleza.com.br/alpiste-emagrece-e-beneficia-a-saude/#ixzz2b2SRLnqe

estao ferrados



Cremesp vai investigar caso de médicos que batem ponto e não trabalham

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou na última quarta-feira (31) que irá abrir sindicância para investigar o caso de de três médicos da maternidade pública Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, que receberiam salário sem trabalhar. Uma reportagem do SBT reproduzida pelo UOL flagrou os profissionais saindo da instituição logo depois de bater o ponto em diversas ocasiões. Por causa da apuração, o Cremesp não pode comentar o assunto.

Os profissionais mostrados na reportagem são o cirurgião geral Luis Henrique Nucci, o endocrinologista Rogério Gondo e o cirurgião geral Roberto Sodré. Segundo a Corregedoria Geral da Administração do Estado, a situação será apurada para que se instaure um processo que pode resultar na demissão dos médicos envolvidos no caso.

Também nesta quarta, Rogério Gondo divulgou um post em sua página no Facebook em que comenta a reportagem. Ele diz que sua função primária é dar suporte à instituição, atendendo gestantes de alto risco com diabetes ou problemas de tireoide, por exemplo, e também casos de genitália ambígua. O médico afirma que faz consultas no ambulatório e avaliações de pacientes na enfermaria, quando necessário.

O endocrinologista ainda ressalta que fica à disposição do hospital para atender a qualquer hora do dia, algo que também foi dito por Nucci na reportagem. "Além disso, estou a disposição de qualquer membro da equipe médica da instituição, 24 horas por dia, todos os dias, através do meu celular (número disponível na diretoria técnica), para uma discussão de um caso, e, se necessário, uma avaliação presencial o mais rápido possível. Essa última atuação configura, ao meu ver, uma modalidade de plantão a distância", relata Gondo no Facebook.

Ele termina o post com o argumento de que teria "maneiras legais" para não trabalhar, caso decidisse tirar todas as licenças a que tem direito. Veja o texto do médico, na íntegra:

Venho por meio desta esclarecer sobre a vinculação de minha imagem a uma reportagem. Sou médico, concursado a nível estadual, e trabalho no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros. Sou endocrinologista e minha função primária é dar suporte a instituição, na compensação de pacientes com atenção principal a gestantes de alto risco (com diabetes mellitus, diabetes gestacional, tireoidopatias etc), compensar metabolicamente pacientes que necessitam de cirurgia (pré operatório), além do suporte a maternidade em casos com genitália ambígua, por exemplo.

Como atuo para cumprir minha função? Primeiramente, faço consultas no ambulatório. Não é raro acompanhar toda semana uma paciente descompensada. A instituição me dá todo suporte inclusive agilizando a realização de exames laboratoriais, fato difícil de se ver por aí. Desta maneira, objetivo um melhor controle, minimizando as internações e complicações das pacientes. Na enfermaria, dou todo suporte a pacientes que precisam de uma avaliação endocrinológica (inter consultas).

Além disso, estou a disposição de qualquer membro da equipe médica da instituição, 24 horas por dia, todos os dias, através do meu celular (número disponível na diretoria técnica), para uma discussão de um caso, e, se necessário, uma avaliação presencial o mais rápido possível.
Essa última atuação configura, ao meu ver, uma modalidade de plantão a distância.

A reportagem não somente omitiu todas essas minhas atribuições como simplesmente deixou de maneira, de certa forma evidente, que nunca trabalho na instituição. Na verdade, eu teria, inclusive, algumas maneiras legais para não trabalhar: teria tirado todas as minhas licenças prêmios (nunca requeri), além de todos os 9 meses de afastamento do meu quinquênio que tenho direito!

Acredito que a melhor maneira de cumprir minha função é dessa maneira.

Muito obrigado pela atenção!

Beltrame critica anistia de PMs e diz que decreto pode ser revogado



A decisão tomada pelo comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Erir da Costa Filho, de anistiar os PMs que sofreram punições administrativas foi criticada hoje pelo secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. "Da forma que foi colocado, eu não gostei. Precisamos entender, e a sociedade mais ainda, quais são essas infrações", afirmou o secretário durante visita ao Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Beltrame disse que foi surpreendido pela medida e que vai pedir explicações ao comandante. Caso discorde da situação, ele admite até revogar a anistia.

O benefício foi anunciado em boletim interno da PM publicado na última quinta-feira. Os policiais que estão detidos nos quartéis poderão voltar ao trabalho regular nas ruas. A PM não informou quantos homens foram beneficiados nem quando o benefício começou a vigorar.

No boletim, o comandante da PM elogia "o alto grau de profissionalismo" dos policiais "nas manifestações populares pacíficas e nos protestos ilegítimos e violentos", e também durante os grandes eventos realizados recentemente no Rio (a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude).

Em nota, a corporação informou que "a dispensa do cumprimento da prisão (...) se refere ao fato de a Polícia Militar ter cumprido escalas de serviço mais extenuantes nos últimos dois meses" e que os casos "mais graves" continuam "sob Conselho de Disciplina". "A medida se refere a casos de menor potencial ofensivo".

medo da al-qaeda



Com medo de atentados, EUA fecham embaixadas no Oriente Médio
Governo norte-americano adotou medida por temer ações da rede Al-Qaeda

Um total de 22 embaixadas e consulados dos Estados Unidos em diversos países do Oriente Médio e Norte da África fecharam as portas neste domingo, 4, em meio ao temores de que a rede extremista Al-Qaeda promova ataques contra as instalações diplomáticas.


Enquanto isso, as embaixadas da Alemanha, da França, da Holanda e do Reino Unido em Sanaa, capital do Iêmen, estavam fechadas neste domingo, também por razões de segurança. As representações diplomáticas desses países europeus no Iêmen continuarão fechadas amanhã, informa a emissora pan-árabe de televisão Al Jazeera.

Na sexta-feira, o Departamento de Estado dos EUA citou preocupações com a segurança para informar que 17 embaixadas e quatro consulados em quase 20 países do Oriente Médio não abririam as portas neste domingo. Detalhes sobre as ameaças não foram revelados.

Numa entrevista ao canal de televisão norte-americano ABC, o presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey, disse que as autoridades do país concluíram que a ameaça em questão "é mais específica do que as anteriores". Segundo ele, "a intenção é atacar interesses ocidentais, e não apenas dos Estados Unidos".

Ontem, a conselheira de segurança nacional da Casa Branca, Susan Rice, comandou uma reunião com funcionários de alto nível do governo para avaliar as ameaças "terroristas" que levaram ao fechamento temporário das representações norte-americanas e a um alerta global de viagem aos cidadãos do país. A Casa Branca não divulgou detalhes sobre as discussões.

sábado, 3 de agosto de 2013

acabou-se o que era doce



Nove partidos deixam ‘núcleo duro’ do governo e expõem fragilidade da base
Grupo formado por deputados federais que votam de acordo com orientações do Planalto 90% das vezes ou mais amarga quedas desde a posse de Dilma Rousseff em 2011


Em seu terceiro ano como presidente, Dilma Rousseff assistiu ao esfacelamento do "núcleo duro" de apoio a seu governo na Câmara dos Deputados, que já foi formado por 17 partidos e hoje abriga apenas petistas e remanescentes de outras sete legendas.

O núcleo duro - formado pelos parlamentares que votam com o governo 90% das vezes ou mais - era integrado em 2011 por 306 dos 513 deputados. Ou seja, Dilma podia contabilizar como aliados fiéis seis em cada dez dos membros da Câmara. Desde então, esse núcleo vem encolhendo, e atualmente se resume a 101 deputados, segundo revela o Basômetro, ferramenta online do Estadão Dados que mede a taxa de governismo do Congresso.

Dos nove partidos que abandonaram totalmente a linha de frente de apoio ao governo, três são de tamanho médio - PR, PSD e PSB. Os demais se enquadram na categoria dos "nanicos", com bancadas de menos de dez integrantes (PMN, PTC, PRTB, PSL, PT do B e PRB).

O PMDB, principal aliado do PT em termos numéricos, tem hoje apenas quatro representantes no núcleo duro - desde o final de 2011, 63 peemedebistas abandonaram o grupo e agora se concentram na faixa dos que votam com o governo entre 60% e 89% das vezes. No PP, a debandada foi de 32 deputados para apenas 2. No PDT, de 16 para 2. No PTB só sobrou um dos 19 fiéis.

Com uma base cada vez mais inconsistente, Dilma tem enfrentado dificuldades crescentes para aprovar projetos. Na tentativa de agradar à base, acenou com a abertura dos cofres: na semana passada. Determinou a liberação de R$ 6 bilhões em emendas parlamentares até o final do ano, em três parcelas.

Mesmo assim, há temor de que a estratégia não funcione. Para evitar eventuais derrotas, o governo quer adiar a votação de temas polêmicos.

Palanques. O desmanche do grupo fiel a Dilma se acelera no momento em que os partidos se realinham para medir forças em 2014. O PSB, que já promove a candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tinha taxa de governismo de 95% em 2011, segundo o Basômetro. Em 2013, o índice está em 77% - com tendência de queda. A taxa dos partidos é calculada com base na média dos votos contra e a favor de seus integrantes.

No primeiro ano de mandato de Dilma, o núcleo duro de apoio ao governo tinha 27 deputados do PSB. Em 2012, esse número se reduziu a menos da metade, e em 2013 todos abandonaram o barco.

No PDT, o afastamento pode ser simbolizado pelo comportamento de um de seus principais líderes, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP). Em 2011, ele apoiou o governo em 89% das votações. Neste ano, em apenas 33%.

Dilma só não pode se queixar de seus correligionários: o número de petistas com taxa de fidelidade superior a 90% subiu de 83 em 2011 para 86 em 2013. A presidente nunca dependeu tanto de seu partido: atualmente, o PT tem 85% dos integrantes do núcleo duro - no primeiro ano de mandato, eles eram 27%. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

olha a candida...




Papa começa limpeza de arcebispos suspeitos de corrupção
Banco do Vaticano abre pela primeira vez um site para dar transparência

Nem bem desembarcou em Roma depois de uma intensa visita ao Brasil, o papa Francisco começa a tomar decisões para limpar a Igreja no que se refere aos escandalos de corrupção. Nesta quarta-feira, 31, o Vaticano anunciou a renúncia de três bispos implicados em escândalos de corrupção. No mesmo dia, a Santa Sé colocou no ar um site do Instituto de Obras Religiosas, considerado como o Banco do Vaticano, e prometeu que vai, pela primeira vez, publicar as contas da instituição.

O papa, durante sua viagem ao Brasil, insistiu que uma das metas de suas reformas é o de garantir transparência nas contas da Igreja. As renúncias dos bispos seriam um alerta de que ele não vai poupar ninguém.

Nesta quarta-feira, o Vaticano indicou diplomaticamente que Francisco "aceitou a renúncia" dos arcebispos de Lubjana e Maribor, depois que um buraco de 800 milhões de euros foi encontrado nas contas da Igreja eslovena.

Na Eslovênia, as vítimas foram os arcebispos Anton Stres e Marjan Turnsek. O Vaticano apenas indicou que seguiu o parágrafo 2 do canon 401 do Código de Direito Canônico. Por essa regra, pede-se que um bispo renuncie "por doença ou causa grave".

O escândalo começou ainda em 2010, quando o Vaticano enviou um inspetor para entender porque motivo a Igreja do país pedia tantos empréstimos à Santa Sé. Descobriu-se que, por conta de operações financeiras de alto risco, a Igreja local havia perdido muito dinheiro e, para sobreviver, pediu dinheiro emprestado em bancos e até a rede de TVs. Ficou ainda claro que a imprudência já tinha começado em 2003. "Espero que o passo que dei foi correto para restituir a reputação da Igreja eslovena", disse Stres.

Outro que renunciou foi o arcebispo de Yaoundé, em Camarões, também por conta de um escândalo financeiro. Simon-Victor Tonyé Bakot chegou a ser o presidente da Conferência Episcopal de seu país, mas também era um ativo empreendedor imobiliário.

No mesmo dia, o Banco do Vaticano abriu seu novo site - www.ior.va - justamente com a meta de dar transparência a suas atividades. O banco é alvo de duras críticas e o papa já indicou que não sabe ainda se a instituição será mantida.

Em declarações à Rádio Vaticano, o presidente do Ior, Erns von Freyberg, garantiu que a meta é ser transparente e que, em 2013, pela primeira vez as contas da instituição serão conhecidas. "Vamos fornecer informações sobre as nossas reformas e o que fazemos no mundo e como podemos apoiar a Igreja e sua missão e obras de caridade", disse.

 

Fraternidade

A busca por uma reforma também está marcada pela escolha do papa, anunciada na última quarta, de que o Dia Mundial da Paz de 2014 terá a "fraternidade" como tema.

Para ele, a "globalização da indiferença" deve ser substituída pela "globalização da fraternidade". Propondo um "rosto mais humano ao mundo", ele voltou a pedir que se supere a "cultura do descartavel" e que se promova a "cultura do encontro".

Sua avaliação é que a fraternidade é o caminho para superar a pobreza, fome, subdesenvolvimento, conflitos, desigualdade, injustiça, crime organizado e fundamentalismos. Francisco ainda pede que não se tenha apenas uma ajuda assistencialista ao mais pobres.

Na quarta, o papa ainda participou da festa litúrgica de São Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus. Jesuíta, o papa não deixou de participar do evento. Mas pediu que seus colegas jesuítas tomem "caminhos criativos" e que destinem seus trabalhos para as "periferias, as tantas periferias do mundo".


melhor comer em casa



Insatisfação: 100%

O momento é de insatisfação geral. O programa preferido do paulistano virou motivo de irritação: comer fora anda cada vez mais caro, as pessoas acabam saindo menos, procurando lugares mais baratos e controlando os gastos à mesa. Do outro lado do balcão, donos de restaurante reclamam das dificuldades em equilibrar as contas a manter a rentabilidade. A gritaria só aumenta.

Bife de chorizo, do Martín Fierro – R$ 61
Ingredientes: 33% (R$ 20,13)
Aluguel, salários, contas de água, luz e gás: 44% (R$ 26,84)
Impostos: 11% (R$ 6,71)
Taxa de cartões: 3% (R$ 1,83)
Lucro: 9% (R$ 5,49)


E, para contrariar aquele ditado que diz que em casa em que todo mundo grita ninguém tem razão, desta vez, todo mundo tem razão. Cada um tem as suas. Elas ficam evidentes quando se decompõe o que está embutido no preço de um prato que custa R$ 11,50 de ingrediente e chega ao cardápio por R$ 46, como o porco com missô, do Miya. Ou os motivos que fazem um risoto de ervilhas (o arroz é importado, o dólar está alto, tudo bem…) custar R$ 76, como o do Piselli.

A situação chegou ao limite – e vai ter de mudar. “Os restaurantes não podem ficar parados. Temos que nos mexer. E quem não se adaptar vai fechar.” O diagnóstico de Cristiano Melles, presidente da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) e sócio do Pobre Juan, expõe o momento delicado por que passa o setor gastronômico no Brasil e, em especial, em São Paulo.

“As pessoas ainda estão comendo fora, mas com a mão no bolso”, diz Ingrid Devisate, analista da consultoria Gouvêa de Souza, que detectou em pesquisa recente que o gasto médio com restaurantes nos fins de semana diminuiu sensivelmente: de R$ 53,80 em 2010 para R$ 39.

“Essa crise não é passageira. O que significa que vamos ter que mudar o modelo de serviço com que o brasileiro se acostumou, automatizar a cozinha – enfim, buscar mais eficiência para não repassar preços no cardápio”, diz Cristiano. O empresário aposta num estilo de serviço mais parecido com o americano e o europeu. “A tendência é ter um número bem menor de pessoas no salão. Sem cumim, maître, etc.”

O chef do Piselli, o italiano Moreno Colosimo, atesta de experiência própria: “Trabalhei em casas com estrela Michelin na Europa que tinham um quarto das pessoas que têm aqui, tanto no salão quanto na cozinha”.

Entre os donos de restaurante, há pessimismo no ar. Segundo estudo da ANR, que tem 306 associados, donos de quase 5 mil estabelecimentos, as margens de lucro, que eram de 15% a 20 % há quatro anos, hoje estão mais próximas dos 10%.
O empresário Paulo Kress, do grupo Egeu, diz ter conseguido manter o faturamento de seus restaurantes. “As casas do Egeu são caras, mas não perdemos movimento, especialmente nas mais baratas como o General Prime Burguer”, garante. Mas conta que está buscando alternativas para atrair clientes, como ofertas de vinho e programa de fidelização de clientes em troca de descontos.

“O restaurante vai bem quando a economia está bem. Quando as pessoas têm menos dinheiro para gastar, deixam de ir”, afirma Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de São Paulo, e dono da rede de pizzarias Livorno. “Está difícil segurar os preços. Muita gente está sacrificando a margem de lucro para se manter.”

Juscelino Pereira, também membro da diretoria da ANR e sócio do Piselli, Tre Bicchieri e Zena Caffé, reclama que os donos de restaurantes aparecem sempre como vilões da história. “Lá fora, casas como as nossas são mais caras. Se fôssemos repassar a inflação real, nosso cardápio seria mais caro”.

Além dos ingredientes, os principais custos embutidos no preço de um prato são mão de obra, aluguel e impostos. Mas entram no cálculo ainda taxas de reposição de material, segurança, contas de luz, água e gás. E quando o restaurante é de alta gastronomia, há ainda um custo intangível, do processo de preparo.

“Em vez de otimizar a gestão, os empreendedores querem garantir o lucro apenas fixando preços mais altos no cardápio”, diz Roberto Braga, autor livro Gestão na Gastronomia (Ed. Senac). Ele cita o desperdício como um dos principais problemas na gestão dos restaurantes.